Na Barra do Ceará, comemorar o futebol virou motivo de prisão. No dia 28 de dezembro de 2025, Francisco Igo Brito Nascimento, trabalhador, pai de duas filhas e réu primário, foi preso após soltar fogos de artifício durante a comemoração do encerramento da temporada de um time de futebol amador do bairro, o Inter. Uma cena comum, repetida há anos, parte da vida comunitária. Ainda assim, Igo segue preso até hoje.
O final do ano de 2025 foi marcado por intensas disputas de territórios pelas facções e Fortaleza e região metropolitana. Ao final de dezembro, fogos foram utilizados pelos grupos criminosos para demarcar tomadas de comunidades. Frente a repercussão negativa na opinião pública, a Polícia Militar, sob a direção do Governador Elmano de Freitas (PT) realizou uma operação que resultou na prisão de diversas pessoas que soltaram fogos no dia 28 de dezembro.
Pode-se perguntar: E se por coincidência alguém estiver soltando fogos por outro motivo? Foi o caso de Igo, que logo após soltar os fogos na confraternização do seu time foi abordado, algemado e levado para a delegacia sob a acusação de envolvimento com organização criminosa.

No momento da prisão, os amigos tentaram explicar. Apresentaram os materiais do time, falaram da comemoração, do futebol, da tradição do bairro. Não houve escuta. Quem iria questionar mais um detido neste dia na periferia? A mídia vende a matéria, o governo mostra serviço e o sofrimento da injustiça segue a macerar familiares e amigos.
Não houve apreensão de drogas. Não houve apreensão de armas. Não houve qualquer elemento concreto que sustentasse a acusação. Ainda assim, Igo foi mantido preso.
A mãe, Antônia Ferreira, resume o sentimento da família ao dizer que o filho foi confundido injustamente. Um cidadão comum, trabalhador, que ajudava o pai em um depósito, passou a ser tratado como criminoso sem provas. A prisão não atingiu apenas Igo. Atingiu suas filhas, sua família e toda uma comunidade que se viu novamente colocada sob suspeita.


Mais de um mês se passou e o cenário segue o mesmo. O pedido de liberdade foi indeferido no Tribunal de Justiça e a defesa recorreu ao Superior Tribunal de Justiça. Até agora, nenhuma resposta. Nenhuma novidade. Nenhuma explicação plausível para a manutenção da prisão.
O advogado Alexandre Torres aponta o óbvio que, no sistema penal brasileiro, precisa ser repetido à exaustão. Igo não foi flagrado com nada que caracterize crime. Ainda assim, permanece encarcerado. A prisão preventiva, que deveria ser exceção, se transforma em regra quando o acusado não vem de um bairro nobre.
Diante disso, a denúncia se impõe. Exigir a liberdade de Igo é uma questão de classe. É dizer que trabalhadores não podem seguir pagando com a própria liberdade pela lógica seletiva do sistema penal.
Liberdade para Francisco Igo Brito Nascimento.
Liberdade para quem só queria comemorar o futebol e voltar para casa.
Cartazes
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